Estrangeiro no Brasil | Racismo no Brasil
Nos somos dois estrangeiras, que vivem já há alguns anos aqui no Brasil e que se encontraram num curso de Português da universidade. Somos das Estados Unidos e da Alemanha. Estávamos discutindo o tema racismo no Brasil do visto dos estrangeiros nosso curso de Português e fomos pedidos de publicar aqui. Na verdade o tema é tão complexo, que é difícil falar algo curto sobre o assunto num bloco como esse. Mas vamos tentar.
Tem racismo no Brasil? Sim, tem!!!!
Você percebe isso muito no cotidiano? Não tanto. Você vê isso muito no cotidiano? Sim! Porque não percebe isso tanto? Porque é raro você ouvir uma pessoa falando algo obviamente racista, talvez também porque é proibido no Brasil. As pessoas interagem como se fosse o mais normal do mundo. Neste sentido a convivência é mais normal do que por exemplo em Alemanha.
Mas o que sabemos nos sobre racismo? Não muito, pois somos “brancas” e não experimentam isso no dia a dia. O racismo é escondido embaixo da idéia da “harmonia das raças”, que foi criada no passado e se reflete até hoje nossa sociedade brasileira. O racismo do Brasil é institucionalizada e se mostra logo para quem chega novo no Brasil na distribuição do trabalho aqui. Normalmente quem serve em Salvador é de cor de pela mais escura e que, compra ou benéfica do serviço são “brancos”. Isso é bem obvio em Salvador, onde a maioria da população é “negro” e cada vez quando eu recebo visitas da Alemanha é a primeira coisa, que eles comentaram. Achamos que a maioria dos brasileiros nem percebe mais isso, pois virou uma coisa tão normal. Para nos é estranho ter quartos, elevadores, entradas para faxineiras. E algum começa se perguntar varias coisas. Por que por exemplo a maioria dos negros ganha pouco e por que as escolas publicas são cheio de negros e as escolas particulares tem poucos negros? Por que as pessoas “brancas” se queixam tanto das quotas nas universidades publicas? Por que o negro sempre é sendo ligado à idéia da sexualidade, musica e dança? Ele só pode isso? Por que um “negro” num terno é um vigilante e um “branco” num terno é um empresário? Por que nunca somos tratados por médicos “negros”?Por que um estudante da quota na UFBA está sendo perguntado se ele pode participar de uma atividade, que requere um investimento financial maior, e os “brancos” não? Por que vemos somente motoristas “negros” nos Mercedes ou BMWs quando fazem serviços para famílias “brancas”, ricas? Por que a maioria das mulheres nas medias tem cabelo liso, longo? Por que muitas vezes recebemos elogios para nossos olhos azuis e minha amiga dos olhos marrom nunca? Por que a estrela maior e papel para muitas crianças é Xuxa, uma mulher branca, loira e com olhos azuis? Por que tem na maioria bonecas brancas para comprar? Por que é raro ver um casal “branco”-“negro” na rua e nas festas das pessoas da classe alta? Por que, nos como professores particulares de idiomas, na maioria temos alunos “brancos”? Por que a maioria dos políticos no congresso são homens “brancos”? Por que as profissões, que recebem o menos salário são na maioria feitos dos “negros”? Por que as pessoas com a pele mais escuro ocupam profissões, que ganham somente o salário mínimo? É muito visível na sociedade e especialmente no nordeste como renda e cor são ligadas. E a coisa mais chata é que muitas pessoas justificam isso apenas com desigualdades sociais. Mas o origem disso vem do escravidão e da ideia, que um ser humano “negro” vale menos.
Agora, racismo é algo universal e todos nos devemos perguntar se tivemos tendências disso. O racismo da Alemanha e nos Estados Unidos é muito forte, mas na Alemanha por exemplo somente recentemente teve mais “negros”e a historia de ser um pais dos imigrantes do todo mundo começou apenas 20 anos atrás. Por isso a convivência das “raças” diferentes ainda é muito menos realidade como aqui no Brasil e ainda um grande desafio, pois tem muitos preconceitos. Parece que o racismo é muito mais aberto ali, do que no Brasil.





Olá, vai aqui uma sugestão que se origina no meu desconforto ao ler o texto acima. Entendo que ele foi escrito por estrangeir@s ainda aprendendo português mas, por questões de alcance do texto por um maior número de pessoas e já que a responsável pelo blog é professora de português, poderiam ser feitos alguns ajustes que, de forma respeitosa com a autoria, deixassem explícito que nem todas as construções incluídas no texto se incluem em um registro de Português do brasil reconhecido pelos falantes em geral. Por exemplo, a nao concordância de gênero (que é uma característica muito marcante da língua portuguesa) inviabiliza a utilização do texto para fins educativos, seja em LM ou LE. Os ajustes poderiam ser simplesmente uma nota alertando para certas idadequações como essa e uma marcação com cores ou algum sinal de formatação para alertar o leitor de que aquela forma ocorre por ser o texto produto de aprendizes ainda ” no caminho”. À parte isso, acho uma ideia muito boa incluir todo tipo de produção textual no Blog, e seria anda mais rico se houvesse uma nota ou menção sobre os/as autores/as de cada artigo. Desejo sucesso à idealizadora do blog.